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As Chuvas na Zona da Mata Mineira e a Tragédia Socioambiental do Capitalismo Tardio

Juiz de Fora e a Zona da Mata mineira passam por um cenário de calamidade pública nunca antes visto, com tempestades violentas, barrancos e morros deslizando e vários casos de soterramento. O volume de chuvas do mês de fevereiro ultrapassou qualquer expectativa, sobretudo nos últimos dias, deixando pela cidade destruição e desamparo.

As tempestades que assolaram e ainda assolam Juiz de Fora configuram um evento socioambiental crítico, cujos impactos materiais e humanos, muitos dos quais irreversíveis, revelam, de forma contundente, as desigualdades que estruturam o desenvolvimento do espaço urbano brasileiro. Até a tarde de 26/02/2026 foram confirmados 55 óbitos em Ubá e Juiz de Fora, além de dezenas de desaparecidos. Na segunda-feira, 23/02/2026, em poucas horas, o volume pluviométrico atingiu 183,1 mm, ultrapassando a média histórica para todo o mês de fevereiro (170,3 mm). A tragédia evidencia a ausência histórica de planejamento urbano, políticas habitacionais e de infraestrutura de contenção de riscos compatíveis com a crise climática contemporânea.

É inegável, nesse contexto, a responsabilidade direta de Romeu Zema, governador ultra-liberal que atua em sintonia com o grande capital e as mineradoras. O governo de Minas reduziu em 96% a verba para prevenção aos impactos das chuvas, de R$ 134,8 milhões em 2023 para R$ 5,8 milhões em 2025. Diante dessa situação crítica, é fundamental que a Prefeitura de Juiz de Fora vá além das ações emergenciais, cobre a recomposição desses recursos e adote medidas estruturais que protejam a população antes que novas catástrofes aconteçam.

O resultado dessa política de desinvestimento é nítido: alagamentos, deslizamentos de terra e rochas, desabamentos, famílias desalojadas, pessoas soterradas e perdas materiais totais que recaem, majoritariamente, sobre os mais pobres. Não se tratam de fatalidades naturais, mas de tragédias socialmente produzidas, inscritas na lógica de urbanização desigual e na negligência estatal frente às periferias e áreas de risco.

Desastres como estes não são inevitáveis: são a expressão material de escolhas políticas. Combatê-las exige organização popular, pressão institucional e um projeto urbano que coloque a vida, e não o lucro, no centro do planejamento urbano.

Precisamos de um projeto de cidade e de país que coloque a dignidade e a segurança de nosso povo no centro do planejamento urbano. Defendemos de forma intransigente a efetivação, em escala nacional, do Estatuto de Proteção e Defesa Civil, de autoria do deputado Glauber Braga e sancionado em 2012, bem como apontamos para a urgência de uma reforma urbana estrutural. Tal reforma deve enfrentar o abandono das periferias, romper com a lógica da especulação imobiliária, que empurra a classe trabalhadora para zonas de risco, com políticas de habitação digna, drenagem urbana, contenção de encostas e planejamento territorial orientado pela justiça social. Apenas em Juiz de Fora mais de 130 mil pessoas vivem em áreas de risco, aproximadamente um quarto da população da cidade.

O que acontece agora na Zona da Mata mineira e o que aconteceu nos últimos anos no Rio Grande do Sul são resultado das mudanças climáticas e da negligência do Estado, que age em defesa dos interesses do grande capital em detrimento da segurança, dos direitos fundamentais e das vidas da classe trabalhadora. As políticas de austeridade da direita, capitaneadas pela burguesia, demonstraram verdadeiro desprezo por nossas vidas, o que torna a luta por uma alternativa socialista um imperativo como resposta à crise socioambiental que enfrentamos.

Manifestamos nossa irrestrita solidariedade às famílias afetadas e a toda a população atingida nas cidades de Juiz de Fora, Ubá, Matias Barbosa e de toda a Zona da Mata mineira, territórios historicamente marcados por processos de urbanização precária e vulnerabilidade socioambiental.

Diante desse contexto, a mobilização popular em pontos de arrecadação expressa, mais uma vez, a centralidade da solidariedade como resposta imediata à crise. Abaixo, disponibilizamos os pontos de arrecadação e as contas destinadas às doações financeiras. Cada contribuição ajuda a reconstruir vidas, garantir dignidade e fortalecer a resistência coletiva diante do colapso ambiental e dos ataques do poder público e do capital à defesa civil e ao meio ambiente, que afetam de forma particularmente grave os setores mais vulneráveis da classe trabalhadora.

Campanha do 8M e do Sindicato dos Bancários
PIX: [email protected]

Campanha do DCE UFJF:
PIX: [email protected]

Ponto de recolhimento:
https://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&idnoticia2=88466