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8 anos sem Marielle e Anderson: a semente que virou floresta

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes tentou interromper uma história de luta, mas acabou transformando memória em resistência e multiplicando novas vozes nas periferias e na política.

Foi na noite de 14 de março de 2018, um dia triste na história do Brasil, que o crime aconteceu. A vereadora Marielle Franco voltava de mais uma jornada de luta no Rio de Janeiro. Como tantas outras noites, ela estava onde sempre escolheu estar: ao lado do seu povo. Naquele dia havia se reunido com mulheres negras da periferia, compartilhando histórias, dores e sonhos de transformação.

No carro estavam Marielle, o motorista Anderson Gomes e sua assessora de imprensa, Fernanda Chaves. No caminho de volta para casa, tiros rasgaram a noite. Marielle e Anderson foram assassinados. Fernanda sobreviveu.

Hoje, anos depois, Fernanda carrega a dor daquela noite que mudou sua vida para sempre. Mas também carrega a força e a resiliência de quem segue vivendo com a memória e a história de Marielle e Anderson. Sobreviver também virou uma forma de resistência e de compromisso com a verdade.

Marielle nasceu e cresceu na favela da Maré. Filha da periferia, mulher negra, socióloga, militante dos direitos humanos. Sua política era feita de escuta, de presença e de coragem. Ela carregava consigo as vozes das mães que perderam seus filhos para a violência, das mulheres que lutam todos os dias para sobreviver, da juventude negra que insiste em viver apesar das estatísticas.

Quando foi eleita vereadora, Marielle não entrou sozinha na política. Entraram com ela a favela, as mulheres negras, a população LGBTQIA+ e os sonhos de justiça e dignidade que sempre foram empurrados para fora dos espaços de poder.

Por isso tentaram calá-la.

Mas quem acredita que pode matar um sonho não conhece a força da história.

Depois da morte de Marielle, algo bonito e poderoso aconteceu. Seu nome começou a ecoar nas ruas, nas escolas, nos coletivos, nas universidades e nos movimentos sociais. Em cada canto do Brasil surgiram mulheres negras, jovens de periferia e lideranças populares que passaram a dizer com orgulho: “somos sementes de Marielle”.

E sementes têm um destino inevitável: florescer.

Hoje existem muitas Marielles espalhadas pelo país. Marielles que organizam suas comunidades, que ocupam a política, que enfrentam o racismo, o machismo e a injustiça com coragem. Marielles que transformam memória em luta e dor em esperança.

Aqueles tiros tentaram silenciar uma mulher.
Mas acabaram plantando uma floresta.

Porque algumas vidas, quando parecem terminar, na verdade começam a se multiplicar na história.

Marielle Franco presente.
Anderson Gomes presente.
Hoje e sempre.

  • Cientista Social, foi sindicalista, atuou por 16 anos na Câmara dos Deputados e foi diretor da Fundação de Assistência Social de Porto Alegre, foi dirigente do PSOL de Goiás e do PSOL nacional.