
A foto chega como um atestado: o Instituto de Educação de Paranaguá em chamas. Não foi um raio, não foi um acidente. Foi a consequência lógica de um modelo que incendeia o futuro para acender espelhos.
No Paraná, a educação pública virou escombros antes do fogo. Sucateada, militarizada, porque ordem sem pedagogia é só treinamento para obediência. Plataformizada, telas no lugar de encontros, algoritmos no lugar de afetos, dados no lugar de notas. E os professores? Adoecem. De ansiedade, de burnout, de falta de ar diante do excesso de burocracia e um salário que não paga o leite.
Enquanto isso, as gestões posam. Narcisistas, olham-se no retrovisor das redes e veem apenas obra, placa, sorriso ensaiado. Não veem o professor em atestado, não veem a escola sem alma, não veem o telhado que desaba. Veem o próprio reflexo.
O incêndio de Paranaguá não foi o começo. Foi a vírgula numa frase que já estava em chamas.
A pergunta que resta, depois do fogo: vai sobrar escola ou só cinza para a foto?
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Formada em História, Doutora em Educação e militante do Fortalecer.











