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Análise da Situação Nacional e Internacional

1) A verdade mais evidente sobre a realidade mundial no início de 2026 é que a crise civilizatória capitalista está se aprofundando cada vez mais.

Uma de suas manifestações é a crescente violência das políticas imperialistas da espinha dorsal do capitalismo mundial, os Estados Unidos.

A agressividade, tanto nas ações quanto no discurso do governo americano de Donald Trump nada mais é do que uma tentativa de deter e reverter o declínio dos Estados Unidos.

Declínio econômico, social, cultural e político. Mas o outro lado da realidade é a resposta do povo, daqueles que tomam as ruas em todos os países, inclusive nos Estados Unidos, para defender a democracia, os direitos humanos como princípio universal, o direito internacional e a soberania dos Estados contra o imperialismo.

2) O ponto alto da violência imperialista expressou-se principalmente nos últimos anos no genocídio sistemático do povo palestino, perpetrado pela vanguarda do imperialismo capitalista mundial, Israel.

O ressurgimento da antiga Doutrina Monroe (América para os americanos), tornou a América Latina mais um alvo da agressão imperialista norte-americana, com o chamado “Corolário Trump”

O Estado fascista de Israel é apoiado e armado não só pelo governo dos Estados Unidos, onde republicanos e democratas se unem, mas também pelas chamadas democracias europeias (uma mistura de liberais e social-democratas).

O objetivo do enclave israelense racista é manter o domínio ocidental sobre o Oriente Médio, uma região rica em recursos energéticos.

Nessa região do mundo, o imperialismo, através da OTAN, esmagou todas as tentativas de criação de estados independentes (Iraque, Afeganistão, Síria) e a ameaça paira sobre aqueles que resistem, como o Irã, o Iêmen do Sul e a Palestina.

3) Essa violência do imperialismo capitalista se estende a grandes áreas da África, como Sudão, Congo, Nigéria, etc., ricas em recursos minerais, em alguns casos, disputados com empresas chinesas. Consequência disso, é que genocídios e crises humanitárias estão ocorrendo constantemente nesse continente.

4) A guerra russo-ucraniana também foi uma consequência das políticas do capitalismo ocidental, que expandiu a influência de sua aliança militar, a OTAN, até a fronteira da Rússia, culminando em uma guerra sangrenta que já dura quatro anos.

5) O ressurgimento da antiga Doutrina Monroe (América para os americanos), tornou a América Latina mais um alvo da agressão imperialista norte-americana, com o chamado “Corolário Trump”, pelo qual o Departamento de Estado daquele país declara claramente que não permitirá, de modo algum, interesses econômicos de empresas extracontinentais (leia-se: China) nesta parte do mundo.

6) Primeiro, as ameaças foram dirigidas contra o Canal do Panamá, onde o governo bajulador de José R. Mulino cedeu rapidamente à vontade de Trump, rompendo o Pacto da Rota da Seda com a China, permitindo bases militares americanas nas margens do canal e anulou a concessão portuária de uma empresa chinesa.

7) Mas a expressão máxima da violência imperialista se deu contra o povo da Venezuela, cujo território foi bombardeado em 3 de janeiro deste ano, com mais de cem mortos e o sequestro de seu presidente legítimo, Nicolás Maduro, e da líder chavista Cilia Flores.

8) O ataque contra a Venezuela e as ameaças de tomar a Groenlândia à força, colocaram o mundo diante do fato consumado de que o “direito internacional”, construído no final da Segunda Guerra Mundial por meio das Nações Unidas (ONU), está morto.

9) Agora, a ameaça direta paira sobre o povo de Cuba, com a ordem do presidente Trump de interromper qualquer fornecimento de combustível, ameaçando com sanções os países que ousarem ajudar a ilha. A intenção é clara: matar o povo cubano de fome até que seu governo sucumba às imposições americanas, pondo fim a mais de 60 anos de revolução e independência em Cuba. Um efeito colateral dessa política é a ameaça direta contra o México, o único fornecedor de petróleo restante para Cuba após o ataque contra a Venezuela em 3 de janeiro de 2026.

NEW YORK, NEW YORK USA – June 10, 2025: Anti-Ice protest in front of ICE headquarters in Foley Square, Lower Manhattan.

10) A classe trabalhadora americana também é vítima da ofensiva reacionária da burguesia e de seus políticos neofascistas de extrema direita. As principais vítimas são os trabalhadores migrantes, perseguidos nas ruas, por meio de discriminação racial, pela polícia política de Trump, o chamado “ICE”. Mas as universidades, seus professores e alunos também sofrem perseguição, especialmente aqueles que se opõem ao genocídio em Gaza.

11) A ofensiva reacionária da extrema direita global também se opõe a conquistas culturais, humanas e democráticas: ataques aos direitos humanos das mulheres, bem como aos da comunidade LGBTQ+ e de populações historicamente racializadas. A própria ciência e a liberdade de expressão têm sido atacadas. Não é coincidência que a extrema direita predominante promova abertamente valores patriarcais, sexistas, misóginos, racistas, xenófobos, anticientíficos, etc.

12) Enquanto muitos governantes ao redor do mundo cedem às exigências do aspirante a “imperador do mundo”, Donald Trump, muitas pessoas vão às ruas para protestar e resistir às suas políticas, e, em muitos casos, conseguindo impedir sua ofensiva. Os moradores de Minneapolis são o caso mais recente. Deve-se ressaltar que nos últimos meses, ocorreram mobilizações massivas em todas as principais cidades da América do Norte sob o lema “não queremos um rei”.

13) Os setores democráticos, de esquerda e progressistas da Europa também realizaram mobilizações massivas contra as políticas imperialistas de Trump e do genocídio israelense contra o povo de Gaza.

14) Na América Latina, a reativação da Doutrina Monroe despertou seu lado oposto histórico: a aspiração bolivariana pela unidade de “Nossa América” para enfrentar a dominação imperialista e continuar a luta por uma segunda independência. As ideias bolivarianas assumem uma relevância especial neste ano, em que se comemora o bicentenário do Congresso Anfictiônico do Panamá (1826).

O governo panamenho faz parte da onda de governos de extrema direita na América Latina que se submetem às imposições do governo Trump. Em 2025 o governo aplicou uma dura repressão contra o movimento operário e sindical, e ao mesmo tempo, impôs uma reforma lesiva ao sistema previdenciário

15) O governo panamenho de José R. Mulino faz parte da onda de governos de extrema direita na América Latina que se submetem às imposições do governo Trump. Em 2025 o governo aplicou uma dura repressão contra o movimento operário e sindical, e ao mesmo tempo, impôs uma reforma lesiva ao sistema previdenciário. Além disso, retrocedeu nos avanços da soberania nacional, alcançados no século XX, através de um Memorando de Entendimento que permitiu o retorno de militares americanos ao Panamá.

Com base nas considerações acima, o Polo Cidadão do Panamá assume as seguintes tarefas políticas:

a) Mobilizar-se junto às forças democráticas nacionais e internacionais em defesa dos direitos humanos, dos direitos democráticos, dos direitos sindicais, dos direitos das mulheres, das comunidades LGBTIQ, dos defensores da natureza, das nações indígenas e das populações afrodescendentes, da autodeterminação nacional e da soberania dos povos do mundo; combatendo a ofensiva reacionária liderada pelas forças da extrema direita neofascista, encabeçada pelo governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump.

b) Denunciar a inconsistência dos partidos e governos liberais, social-democratas e progressistas, para que se posicionem na defesa dos princípios descritos no ponto anterior, contra a agressão da extrema direita e do imperialismo.

c) Lutar pela unidade latino-americana contra a Doutrina Monroe e seu corolário trumpista, fortalecendo as bandeiras históricas bolivarianas de unidade e integração de Nossa América.

d) Nos solidarizamos com o povo e o governo de Cuba diante da ofensiva do governo Trump, que busca impor um bloqueio total ao acesso a combustíveis, com o objetivo de sufocar a economia cubana e matar de fome, o nobre e sempre solidário povo cubano.

e) Exijir a libertação do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, constitucionalmente legítimo e da líder política Cilia Flores, sequestrados em 3 de janeiro deste ano pelas forças militares do imperialismo norte-americano, a mando de Donald Trump.

f) Repudiar a política entreguista e subserviente do governo panamenho, presidido por José Raúl Mulino, que se submete de forma humilhante às exigências do imperialismo ianque. Repudiamos a contínua interferência do Embaixador e de outros emissários da Embaixada dos Estados Unidos nos assuntos internos do Panamá. Repudiamos também, o Memorando de Entendimento, a presença militar dos EUA no Panamá, e exigimos o restabelecimento dos acordos comerciais com o governo da República Popular da China.

g) Trabalharemos na busca e na construção da UNIDADE do povo e das organizações patrióticas e revolucionárias e do movimento social panamenho, em defesa de nossa soberania nacional e autodeterminação, e contra a presença real do imperialismo ianque em nosso território.

h) Exigimos o fim do cerco, da coerção e da repressão impostos pelo governo panamenho contra setores importantes e atuantes do movimento operário e sindical. Exigimos a reintegração integral das centenas de educadores demitidos por sua participação na greve de 2025 (incluindo seus salários até a presente data). Exigimos o fim da perseguição, dos processos judiciais e das acusações contra os líderes do movimento social, ambiental e popular, e contra alguns diretores da SUNTRACS, bem como a definição do rumo e a restituição dos ativos dessa cooperativa sindical de trabalhadores.

i) Exigir e estar atentos para garantir que se investiguem todas as violações dos direitos humanos cometidas por agências repressivas (Polícia, Senafront, Polícia de Choque, entre outras) em Bocas del Toro e Darién em 2025, e que sejam aplicados os processos legais e os responsáveis por essa barbárie sejam punidos.

Lutar pela unidade latino-americana contra a Doutrina Monroe e seu corolário trumpista, fortalecendo as bandeiras históricas bolivarianas de unidade e integração de Nossa América

j) Em relação ao reservatório do Rio Indio, além da opinião técnica que especialistas de diversas áreas do conhecimento (engenheiros, ambientalistas, economistas e outros) podem fornecer, há um aspecto fundamental que simplifica e vai ao cerne da questão e ao principal ponto de debate relacionado ao reservatório do Rio Índio: as terras afetadas constituem patrimônio histórico e hedonista da população ali estabelecida.

Os aspectos econômicos, financeiros, jurídicos, de engenharia, regulatórios e ecológicos atingem seu escopo de determinação na relação SER HUMANO-TERRA.

k) Continuar desenvolvendo ações e manifestando nossa rejeição à Lei CSS 462, aos projetos de barragem e/ou reservatório no Rio Índio, à NÂO reabertura da mina poluente a céu aberto em Donoso; e todas as ações necessárias na defesa militante de nossa plena soberania e autodeterminação como povo panamenho.

l) Trabalhar na promoção, coordenação e organização com outros setores do movimento social e das iniciativas populares, para a realização do 200º Congresso Bolivariano Anfictiônico, buscando repetir o sucesso do “Encontro dos Povos”, realizado na Universidade do Panamá em 2015.